A minha mãe não é noveleira. Ela assiste porque passa num horário que ela pode se sentar e assistir televisão. E ela nem faz muita questão, porque seguido pode-se vê-la dormindo na frente da tela.
E ela só assiste novela da Globo; não adianta eu dizer que Vidas Opostas (Record) é a melhor novela já feita. Ela tem um certo tipo de fidelidade à la Tarcísio Meira+Glória Menezes com a Globo que não tem jeito.
Não questiono, ela pode se dar a este direito e a outros que quiser; é mãe.
Mas o casal 20 não é o que mais emociona minha mãe na Globo. O Tony Ramos, esse sim.

Minha mãe não acha ele bonito, é óbvio. Fato é que, toda vez que minha mãe vê uma cena emocionante com o Tony, onde ele precise chorar, ela tem vontade de chorar junto, de “tão bonito que ele chora”. Eu nunca soube direito se é brincadeira dela ou se é sério mesmo, porque aqui em casa a gente gosta muito de inventar histórias engraçadas, mas ela sempre fala isso quando ele chora e já é um certo costume chamar ela pra ver ele chorando.
Mas o Tony Ramos está em um papel de comédia. Até domingo, ele não vai chorar.
Peguei na locadora o filme do Selton Mello, Feliz Natal. Lá tá o Pedro Guarnieri, que não é Tony Ramos, mas acho que minha mãe poderia se emocionar se eu botasse ele chorando pra ela ver.
